Selic em 15%: Inflação Cai, mas Banco Central Mantém “Juro Punitivo”
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Chegamos ao final de 2025 vivendo um paradoxo cruel que desafia a lógica econômica básica, mas que alimenta perfeitamente a estrutura de desigualdade brasileira. Pela quarta vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, travada em 15% ao ano.
Para o leitor desatento, pode parecer apenas “prudência”. Mas quando olhamos os dados, vemos a realidade: a inflação oficial (IPCA) já converge para a meta, projetada em 4,36% pelo próprio mercado. Se os preços pararam de subir descontroladamente, por que o remédio amargo continua sendo administrado em dose cavalar?
A resposta não está nos manuais de macroeconomia, mas na economia política. Estamos vivendo a era do “Juro Punitivo”. Não se trata mais de controlar a demanda, mas de garantir um prêmio de risco exorbitante para o capital financeiro, enquanto a economia real — aquela que gera emprego, constrói casas e vende pão — é asfixiada lentamente.
O Maior Juro Real do Mundo (O Retorno)
Ao descontarmos a inflação projetada dos juros nominais de 15%, o Brasil oferece hoje um juro real acima de 8% a 9%.
Para se ter uma ideia da gravidade, países emergentes pares, como México ou Índia, operam com taxas reais muito inferiores. Isso cria uma distorção perversa chamada de crowding out (efeito deslocamento): por que um empresário arriscaria investir na expansão da sua fábrica, enfrentar a burocracia e contratar funcionários, se ele pode deixar o dinheiro parado em Títulos do Tesouro rendendo 15% ao ano com risco zero?
Como alertamos no artigo sobre Juros Reais, essa política transforma o Brasil em um paraíso de rentistas e um inferno para empreendedores. O dinheiro flui do setor produtivo para o setor financeiro, drenando a vitalidade do PIB.

A Falácia da “Ancoragem de Expectativas”
A justificativa oficial do Banco Central é sempre técnica: cita-se “incertezas fiscais” e a necessidade de “ancorar as expectativas” para 2026 e 2027.
Traduzindo do “economês”: o BC diz que mantém os juros na estratosfera não pelo que está acontecendo hoje (inflação controlada), mas pelo medo do que pode acontecer se o governo gastar demais no futuro. Cria-se assim uma profecia autorrealizável suicida.
O juro alto encarece a dívida pública (o governo paga mais juros sobre o que deve), o que aumenta o risco fiscal. O BC olha o risco fiscal aumentando e diz “preciso manter os juros altos”. É um cachorro correndo atrás do próprio rabo, e quem paga a ração é a sociedade brasileira através de impostos e desemprego.

O Impacto no Seu Bolso em 2026
Para a dona de casa e o pai de família, a Selic em 15% tem consequências devastadoras e imediatas.
- Crédito Imobiliário: O sonho da casa própria vira pesadelo. Financiamentos ficam caríssimos, paralisando a construção civil.
- Cartão de Crédito: Os juros rotativos continuam impagáveis, alimentando a bola de neve da inadimplência.
- Consumo: Com o crediário caro, o varejo não vende. (Link Interno) Isso alimenta o ciclo que descrevemos no artigo sobre o Endividamento das Famílias: sem renda e sem crédito barato, a população se endivida para sobreviver, não para crescer.
Participe da Análise
O debate está aberto: Você sentiu alguma queda nos preços no supermercado que justifique esse otimismo com a inflação, ou o custo de vida continua subindo?
O Banco Central é técnico ou político?
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