Reforma Tributária: O Que Muda no Seu Prato?
O Brasil finalmente aprovou sua Reforma Tributária, prometendo simplificar o sistema mais caótico do mundo. No entanto, a promessa de facilidade esconde uma realidade amarga para o consumidor: a conta final pode ficar mais cara.
Originalmente, a ideia era unificar impostos e acabar com a guerra fiscal. Contudo, o texto final criou tantas exceções que o nosso futuro IVA (Imposto sobre Valor Agregado) pode ser o maior do planeta.
Hoje, analisamos como a Reforma Tributária impacta diretamente o seu poder de compra, do supermercado ao serviço de streaming.
A Promessa da Simplificação vs. Realidade
A teoria é linda: cinco impostos velhos (PIS, COFINS, IPI, ICMS, ISS) viram dois novos (CBS e IBS). Porém, a prática legislativa brasileira transformou isso em um labirinto.
Para acomodar lobbies poderosos, a Reforma Tributária criou regimes especiais para dezenas de setores.
Consequentemente, quem não tem lobby forte — ou seja, você e a maioria dos serviços — pagará a alíquota cheia, estimada em 28%.
Isso significa que cortar o cabelo, consertar o carro ou pagar a mensalidade da escola pode ficar bem mais caro.

O “Imposto do Pecado” e o Seu Bolso
Uma das novidades da Reforma Tributária é o Imposto Seletivo, apelidado de “Imposto do Pecado”.
O objetivo é taxar produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente. De fato, a ideia faz sentido para cigarro e álcool.
Todavia, a definição do que é “nocivo” ficou vaga. Isso abre a porta para o governo taxar alimentos ultraprocessados, refrigerantes e até veículos, sob a justificativa de saúde pública.
Por isso, o seu churrasco e o seu lanche de fim de semana podem ser os próximos alvos da sanha arrecadatória disfarçada de virtude.
Essa ânsia por arrecadação é reflexo direto do problema que discutimos em Juros Reais: O Peso Morto.
Quem Paga a Conta da Reforma Tributária?
No fim do dia, a Reforma Tributária é um jogo de soma zero. Se o agro e a indústria pagam menos (com alíquotas reduzidas), o setor de serviços paga mais.
E quem consome serviços? A classe média.
Sobretudo, o grande risco é que a transição lenta (que dura anos) crie um período onde convivem o sistema velho e o novo, gerando o caos perfeito para o aumento de preços.
Por outro lado, o fim da cumulatividade (imposto sobre imposto) é uma vitória técnica, mas que só será sentida se as empresas repassarem a economia para o preço final.

Confira os detalhes técnicos da emenda constitucional no site da Câmara dos Deputados.
Portanto, a Reforma Tributária não é mágica. Ela organiza a casa, mas cobra um aluguel alto. O cidadão precisa vigiar para que a simplificação não vire apenas mais inflação no seu prato.
Participe da Análise
O debate está aberto: Você acredita que os preços vão cair ou subir com a reforma?
O “Imposto do Pecado” é justo ou apenas mais uma forma de arrecadar?
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