Privatização do Saneamento: O “Verão da Sede” e a Água como Mercadoria

O verão chegou, e com ele, a velha rotina de milhões de brasileiros: torneiras secas e contas altas. Mas neste ano, o cenário tem um agravante: o avanço acelerado da Privatização do Saneamento em diversos estados, seguindo modelos como o da Sabesp em São Paulo e da Cedae no Rio.

A promessa vendida pelos governadores e pelo mercado financeiro era de “eficiência privada” e “universalização rápida”. A realidade, porém, é que a água deixou de ser um direito humano básico para virar uma commodity geradora de dividendos para acionistas.

A Falácia da Eficiência Privada

O discurso privatista ignora um fato básico: saneamento é um monopólio natural. Você não pode escolher “trocar de fornecedor de água” se o serviço for ruim, como faz com a internet.

Com a Privatização do Saneamento, a empresa que assume o serviço tem um único objetivo: maximizar o lucro. E como se maximiza lucro na água? Aumentando a tarifa e reduzindo o investimento em áreas “não rentáveis” (leia-se: favelas e periferias). O resultado é o que vemos: bairros nobres com abastecimento pleno e a periferia vivendo o racionamento disfarçado, mesmo pagando caro.

Torneira seca pingando a última gota de água em um copo, com fundo desfocado de uma comunidade carente.

Água como Mercadoria

A lógica é a mesma que criticamos na Regulamentação dos Aplicativos: o lucro é privado, mas o risco e a escassez são socializados. Quando a empresa privada assume, a conta de água sobe muito acima da inflação para garantir o retorno do investidor.

A Privatização do Saneamento transforma o cidadão em cliente. E cliente que mora longe ou consome pouco não interessa.

O Exemplo que vem de Fora

Enquanto o Brasil corre para vender suas estatais de água, o mundo faz o caminho inverso.

Cidades como Paris e Berlim reestatizaram seus serviços de água após anos de tarifas abusivas e serviços ruins na mão da iniciativa privada.

O portal Opera Mundi traz frequentemente dossiês sobre a onda de reestatização na Europa, que o Brasil finge não ver. Estamos na contramão da história, vendendo nosso recurso mais estratégico a preço de banana para garantir o caixa de curto prazo dos governos estaduais.

Protesto popular com cartazes contra a privatização do saneamento e tarifas abusivas.

Participe da Análise

O debate está aberto: A água deve ser tratada como mercadoria ou direito humano? A privatização melhorou o serviço na sua cidade ou só aumentou a conta? Deixe seu comentário e participe ativamente da discussão.

Não perca a próxima análise! Para receber os artigos críticos do Vicente Franco diretamente no seu e-mail, inscreva-se em nossa newsletter exclusiva.

Posts Similares

1 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *