Privatização da Água: Lucro Recorde da Sabesp vs. Torneira Seca
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O verão de 2026 chegou, e com ele, a velha rotina de milhões de brasileiros: torneiras secas e contas altas. Mas neste ano, o cenário tem um agravante novo e amargo: a consolidação da Privatização da Água em estados chave como São Paulo.
A Sabesp, agora sob gestão privada, divulgou relatórios triunfantes para seus acionistas na Faria Lima, afirmando que “superou metas” financeiras. Para completar o presente de ano novo, anunciou um reajuste de 6,11% nas tarifas para janeiro de 2026, desmentindo a promessa de que a privatização baixaria a conta.
Enquanto o mercado financeiro aplaude os dividendos, nas periferias e zonas rurais a realidade é outra: racionamento não oficial, falta de pressão na rede e um serviço cada vez mais caro e distante.
Relatório para Acionista vs. Realidade do Cidadão
Existe uma guerra de narrativas em curso no saneamento brasileiro.
De um lado, a empresa privatizada mostra planilhas verdes e lucros recordes. Do outro, moradores denunciam que a Privatização da Água institucionalizou a escassez. Especialistas do setor alertam que o modelo privado foca obsessivamente na expansão onde há “clientes pagadores” (bairros nobres e indústrias), deixando a manutenção da rede periférica em segundo plano.
O vazamento na favela demora dias para ser consertado porque não gera ROI (Retorno sobre Investimento) imediato, enquanto o vazamento nos Jardins é atendido em horas.

A Água como Mercadoria
A lógica da Privatização da Água transforma um direito humano fundamental, essencial à vida, em uma simples commodity de mercado. Quando o lucro vira a meta principal da gestão hídrica, a eficiência passa a ser medida pelo caixa da empresa, e não pela hidratação e saúde da população.
É a mesma lógica perversa que denunciamos na questão da Regulamentação dos Aplicativos: privatiza-se o bônus financeiro e socializa-se o risco da falta de abastecimento e da exclusão social.
O Risco do “Verão da Sede”
Com as ondas de calor cada vez mais intensas devido às mudanças climáticas, a gestão da água exige responsabilidade social e ambiental, não apenas financeira. Entregar os reservatórios estratégicos para quem lucra com a escassez é um suicídio estratégico para o Estado.
O portal Opera Mundi tem mostrado frequentemente como cidades da Europa, como Paris e Berlim, estão reestatizando seus serviços de água após perceberem que o modelo privado falhou em entregar qualidade e preço justo a longo prazo. O Brasil insiste no erro alheio.

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O debate está aberto: A privatização da água melhorou o serviço na sua cidade ou só aumentou a conta? Água deve ser tratada como mercadoria de lucro ou bem público inegociável? Deixe seu comentário e participe ativamente da discussão.
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