O Jogo de Copos Fiscal: O Governo Dá Isenção de IR e Tira no Consumo
O governo celebra com estardalhaço a promessa de isenção de Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5.000. De fato, parece uma excelente notícia para o trabalhador.
No entanto, na economia brasileira, não existe almoço grátis. O que o governo oferece com uma mão, ele já planeja tomar com a outra.
Hoje, analisamos o “jogo de copos” fiscal: como a alegria da isenção de Imposto de Renda pode ser anulada pelo aumento brutal dos impostos sobre o que você compra.
A Ilusão do Ganho Real
Aumentar a faixa de isenção do IR é uma correção necessária de uma tabela defasada há anos.
Contudo, o momento desse anúncio não é coincidência. Ele serve como uma cortina de fumaça para suavizar o impacto da Reforma Tributária, que discutimos no artigo sobre o IVA de 28%.
O trabalhador pode até ver sobrar um pouco mais de dinheiro no contracheque no final do mês.
Porém, quando ele for ao supermercado, pagar a escola do filho ou contratar um serviço, esse dinheiro extra será engolido pela nova e recordista carga tributária sobre o consumo.

A Regressividade Continua
O sistema tributário brasileiro é cruel porque é regressivo: ele cobra proporcionalmente mais dos pobres, que gastam toda a sua renda em consumo.
Ao focar a propaganda na isenção de Imposto de Renda, o governo desvia a atenção do problema real.
O Brasil continua taxando excessivamente o arroz e o feijão, enquanto tributa pouco a grande fortuna e os dividendos bilionários.
Dessa forma, a estrutura da desigualdade permanece intacta. Muda-se a forma de arrecadar, mas não quem paga a maior parte da conta.

Veja a cobertura sobre as promessas de isenção em portais alinhados ao governo como o Brasil 247, e compare com a realidade dos preços.
Participe da Análise
O debate está aberto: Você prefere pagar menos Imposto de Renda ou pagar menos no supermercado?
Você acredita que a isenção vai compensar o aumento dos preços dos serviços?
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