Fundo Eleitoral 2026: Congresso Garante R$ 4,9 Bilhões para Campanha

Enquanto o governo federal anunciava cortes dolorosos de R$ 34 bilhões no orçamento social sob o pretexto imperativo de “responsabilidade fiscal”, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional operava em uma frequência paralela, imune à crise.

Sem grande alarde e com a cumplicidade de quase todos os partidos, deputados e senadores aprovaram o aumento do Fundo Eleitoral para 2026, fixando o valor em astronômicos R$ 4,96 bilhões.

Para se ter uma ideia do descolamento da realidade, esse valor é quase cinco vezes maior do que a proposta original enviada pelo Executivo, que previa modestos R$ 1 bilhão. Para engordar o caixa da própria reeleição, os parlamentares não hesitaram em passar a tesoura em emendas de bancada estaduais e despesas discricionárias da União.

Prioridades Invertidas: O Contraste Imoral

A matemática de Brasília é cruel e reveladora. Para economizar no BPC (Benefício de Prestação Continuada), exige-se biometria, prova de vida rigorosa e humilhação em filas do INSS. Tudo para “salvar os cofres públicos”. Já para o Fundo Eleitoral 2026, basta uma canetada em uma comissão numa terça-feira à tarde para multiplicar a verba por cinco.

Esse movimento consolida o que chamamos de Orçamento Secreto 2.0: o dinheiro público foi capturado pela classe política para garantir sua perpetuação no poder. R$ 5 bilhões comprariam hospitais regionais, escolas de tempo integral ou levariam saneamento a cidades inteiras. Em vez disso, comprarão santinhos de papel, impulsionamento no Facebook, advogados eleitorais e marqueteiros de luxo.

Arte conceitual de uma urna eletrônica brasileira com uma fenda onde maços de dinheiro estão sendo inseridos como em um caixa eletrônico.

O Corte na Carne (Dos Outros)

Para chegar a esse valor mágico de R$ 4,9 bilhões sem estourar o arcabouço fiscal no papel, o Congresso cortou R$ 2,9 bilhões de emendas de bancada estaduais. Isso parece técnico, mas a tradução é simples: retira-se dinheiro que iria, obrigatoriamente, para obras estruturantes nos estados (pontes, estradas, equipamentos públicos) para garantir dinheiro “líquido” na mão dos caciques partidários.

É a privatização do orçamento público por partidos que, muitas vezes, funcionam como feudos familiares, sem democracia interna.

A Democracia Mais Cara do Mundo

O Brasil já possui um dos sistemas de financiamento público de campanha mais caros do planeta. A justificativa histórica era nobre: evitar a influência do poder econômico privado (caixa 2 de empresas).

O resultado prático do Fundo Eleitoral 2026 inflado é criar uma barreira de entrada intransponível. Quem já tem mandato recebe milhões do partido para se reeleger.

Visão traseira de políticos de terno, abraçados, olhando para uma montanha de dinheiro com uma faixa "Fundo Eleitoral 2026".

Quem é uma nova liderança comunitária, sem padrinhos, recebe migalhas. A renovação política é asfixiada pelo dinheiro, transformando o Congresso em um clube exclusivo de sócios vitalícios.

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O debate está aberto: Você concorda em financiar campanhas políticas com quase R$ 5 bilhões de dinheiro público, enquanto a saúde sofre cortes?

Se o dinheiro é público, a campanha não deveria ser mais barata e modesta?

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