A Epidemia das Bets: O Governo Virou Sócio do Vício?

Se você foi ao supermercado recentemente e notou o carrinho das famílias mais vazio, a culpa não é apenas da inflação dos alimentos. Existe um “imposto invisível” e voluntário drenando a renda da classe trabalhadora brasileira em uma velocidade assustadora: a Epidemia das Bets.

Dados explosivos divulgados nesta semana pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) revelam que o varejo brasileiro deixou de faturar R$ 103 bilhões no último ano. O motivo? O dinheiro que antes comprava arroz, feijão e calça jeans foi redirecionado para aplicativos de apostas esportivas e o infame “jogo do tigrinho”.

Estamos diante de uma tragédia social anunciada. Pesquisas mostram que as “bets” já consomem, em média, 13% do orçamento destinado à alimentação das famílias das classes C, D e E. Pessoas estão literalmente tirando a comida da mesa dos filhos para financiar a ilusão do dinheiro fácil na tela do celular.

O Governo: Regulador ou Cúmplice?

Diante desse cenário de terra arrasada, qual foi a resposta de Brasília? Proibir a publicidade agressiva? Criar travas reais de pagamento? Não. A resposta foi tributária.

O Senado acabou de aprovar a taxação definitiva das plataformas, com uma previsão de arrecadação de R$ 30 bilhões por ano para os cofres da União. O discurso oficial é de “regulamentação para proteção”, mas a prática mostra que o Estado brasileiro viu na desgraça alheia uma oportunidade de ouro para fechar suas contas.

Ao se tornar dependente dessa receita para cumprir a meta fiscal, o governo se torna sócio do vício. É a mesma lógica perversa que discutimos no artigo sobre o Corte de Gastos: o governo tira do BPC e da Saúde, mas não tem coragem de cortar na própria carne, preferindo lucrar com a degradação financeira do cidadão.

Um prato de comida vazio sobre a mesa, com um celular ao lado mostrando um aplicativo de apostas brilhando. É a Epidemia das Bets.

O Ciclo do Endividamento

A Epidemia das Bets não anda sozinha; ela é o combustível para a fogueira do superendividamento.

Estudos indicam que o número de apostadores endividados dobrou em um ano, chegando a 35%. O trabalhador perde o salário na aposta, usa o cartão de crédito para tentar recuperar (a falácia do jogador) e acaba caindo nos juros rotativos de 400% ao ano.

Esse é o motor oculto do que chamamos de Natal da Dívida. As famílias não estão endividadas apenas porque compraram presentes, mas porque estão financiando o vício a juros bancários pornográficos. O sistema financeiro, claro, agradece: os bancos lucram com a inadimplência e as processadoras de pagamento lucram com o fluxo das apostas.

Saúde Pública: A Próxima Conta a Pagar

Enquanto o Ministério da Fazenda celebra a arrecadação de impostos, o Ministério da Saúde vê a bomba relógio armar.

Já são estimados 4 milhões de brasileiros classificados como “apostadores de risco” ou patológicos. O vício em jogos (ludopatia) destrói lares, causa demissões e sobrecarrega o SUS com transtornos mentais e suicídios.

O governo arrecada R$ 30 bilhões hoje, mas gastará o dobro disso amanhã tratando uma geração de viciados e lidando com a criminalidade associada à agiotagem e lavagem de dinheiro.

Conclusão: A Transferência de Renda às Avessas

A legalização desenfreada das apostas promoveu a maior transferência de renda da história recente: do bolso do pobre para contas de empresas sediadas em paraísos fiscais e para o Tesouro Nacional.

É a consolidação da Oligarquia do Veto: o lobby das bets no Congresso é tão forte que impediu qualquer proibição real, garantindo apenas que o governo pegasse sua fatia do bolo. O Brasil trocou a produção pela especulação, e o prato de comida pela roleta virtual.

Mão do governo (terno) apertando a mão de um empresário de apostas sobre uma mesa cheia de dinheiro e boletos de famílias pobres.

Participe da Análise

O debate está aberto: O governo deveria proibir as Bets ou apenas taxá-las é o suficiente? Você conhece alguém que comprometeu a renda familiar com apostas? Deixe seu comentário e participe ativamente da discussão.

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