O Abismo da Educação Brasileira: Fábricas de Elite vs. Depósitos de Massa
O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. No entanto, nenhuma estatística é mais cruel do que a realidade das nossas salas de aula. Não temos um sistema de educação unificado.
Na verdade, temos dois países distintos convivendo no mesmo território, separados pelo muro invisível da mensalidade escolar.
De um lado, escolas que preparam líderes globais; do outro, depósitos de gente que lutam pelo básico. Hoje, analisamos como essa desigualdade educacional é a raiz de quase todos os nossos fracassos como nação.
O Brasil da Elite: Preparação para o Poder
Em uma fração minúscula do país, a educação se parece com a da Suíça ou da Coreia do Sul.
São escolas com mensalidades que superam a renda anual da maioria dos brasileiros. Nesses locais, o aluno não aprende apenas conteúdo; ele aprende a mandar.
Eles têm acesso a tecnologia de ponta, intercâmbios e, crucialmente, a uma rede de contatos (networking) que garantirá seu futuro antes mesmo do vestibular.
Consequentemente, essa elite se retroalimenta. Os filhos dos donos do poder são treinados para herdar o poder, mantendo o ciclo da Oligarquia do Veto que já analisamos.

O Brasil da Massa: O Desperdício de Potencial
Do outro lado do muro, vive a maioria absoluta da população. Para eles, a escola pública, salvo honrosas exceções, não é um trampolim social, mas uma corrida de obstáculos.
Professores mal pagos, infraestrutura precária e a violência cotidiana são a norma.
Por isso, a desigualdade educacional no Brasil não é apenas sobre a diferença de notas no ENEM. É sobre a diferença de horizontes.
Enquanto o aluno da elite planeja em qual multinacional vai trabalhar, o aluno da massa se preocupa se terá merenda no dia seguinte.
Além disso, o Brasil joga no lixo, todos os dias, uma quantidade imensurável de talentos — futuros cientistas, engenheiros e artistas — que nunca terão uma chance real de florescer.
Esse desperdício de capital humano é um freio econômico tão potente quanto os Juros Reais altos.
A Desigualdade Educacional como Projeto
É tentador culpar a “falta de dinheiro” pela tragédia da educação pública. Contudo, isso é uma meia verdade.
O Brasil gasta uma porcentagem do PIB em educação similar à de países ricos. O problema é como e onde se gasta.
Há um direcionamento desproporcional de recursos para o ensino superior público (que ainda beneficia majoritariamente a classe média alta que veio de escolas particulares), enquanto o ensino básico é negligenciado.
Portanto, manter a desigualdade educacional é, em última análise, um projeto político de manutenção de privilégios.

Veja os dados do Pisa (programa internacional de avaliação de alunos) que comprovam o abismo brasileiro no site da OCDE.
Em conclusão, enquanto aceitarmos que a qualidade da educação dependa do CEP ou da conta bancária dos pais, o Brasil continuará sendo uma potência do futuro que nunca chega.
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O debate está aberto: Você acredita que é possível ter meritocracia no Brasil com esse nível de desigualdade na largada?
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