Corte de Gastos 2025: Governo Tira R$ 34 Bilhões do BPC e Poupa a Elite

O mistério acabou, a “caixa preta” foi aberta e a conta chegou. O Ministério da Fazenda finalmente detalhou nesta semana o impacto final do tão aguardado pacote de ajuste fiscal: serão R$ 34 bilhões cortados do Orçamento de 2025.

O mercado financeiro aplaudiu a “responsabilidade fiscal”. Mas, como sempre na história econômica do Brasil, a tesoura tem alvo certo, endereço e classe social. Não se cortou nos super-salários do Judiciário, não se tocou nas isenções fiscais de setores amigos e nem nas pensões militares. O alvo é, novamente, a assistência social.

As novas regras para o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a revisão de cadastros sociais responderão por mais da metade dessa “economia”.

A Engenharia da Exclusão no BPC

O governo vende a medida com um eufemismo técnico: “pente-fino contra fraudes”. Soa bem, não é? Quem seria a favor de fraudes? Mas quando olhamos a lupa das novas regras, vemos que o buraco é mais embaixo.

As novas exigências incluem biometria obrigatória e uma atualização cadastral draconiana. Na prática, isso funciona como uma barreira de acesso. Imagine um idoso acamado no interior do sertão nordestino ou uma pessoa com deficiência severa em uma comunidade sem internet. A exigência de prova de vida biométrica ou a revisão rígida da renda per capita (que agora conta rendimentos de quem nem mora na casa) pode significar o cancelamento automático do benefício.

É a concretização do que avisamos no artigo Corte de Gastos: Por que a Tesoura Sempre Cai no BPC?. O governo prefere dificultar a vida de quem ganha um salário mínimo a enfrentar os lobbies poderosos das emendas parlamentares ou do sistema financeiro.

Ilustração editorial de uma tesoura de ouro cortando um cartão de benefício social (BPC) em cima de uma mesa de escritório governamental.

R$ 19 Bilhões de “Economia Efetiva”?

O ministro Fernando Haddad celebrou que R$ 19 bilhões virão de corte efetivo de despesas. O que ele não diz em voz alta é que essa “economia” significa filas maiores no INSS, benefícios negados e menos dinheiro circulando nos municípios mais pobres do país, onde o BPC muitas vezes sustenta o comércio local.

É uma escolha de Sofia: retira-se dinheiro de quem gasta tudo em consumo (o pobre) para garantir o superávit que paga os juros da dívida pública (que vai para quem poupa). É uma transferência de renda às avessas, do mais pobre para o mais rico, chancelada por um governo eleito com discurso progressista.

O Silêncio da Base Aliada

O aspecto mais doloroso desse Corte de Gastos 2025 é o silêncio constrangedor da esquerda e dos movimentos sociais.

Ao adotar a cartilha da Faria Lima para atingir a meta fiscal a qualquer custo, o governo legitima a ideia neoliberal de que o problema do Brasil é o “gasto social excessivo”.

Fotografia realista de um idoso brasileiro segurando documentos em uma fila longa do INSS sob o sol, parecendo preocupado.

Enquanto isso, o Orçamento Secreto segue intocado e o Fundo Eleitoral bate recordes. A prioridade orçamentária de 2025 está desenhada: garantir a reeleição da classe política e a calma do mercado, custe o que custar ao tecido social.

Participe da Análise

O debate está aberto: É justo apertar a fiscalização no BPC enquanto o Congresso recebe bilhões em emendas sem transparência?

O ajuste fiscal deveria começar por onde na sua opinião? Deixe seu comentário e participe ativamente da discussão.

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