Aumento do Salário Mínimo: O “Ganho Real” vs. A Realidade do Supermercado
Índice
Todo final de ano, o ritual se repete: o governo anuncia o Aumento do Salário Mínimo para o ano seguinte com pompa e circunstância. As manchetes oficiais e a imprensa chapa-branca celebram o “ganho real” — ou seja, um reajuste ligeiramente acima da inflação oficial (IPCA).
Para 2026, a promessa é de mais alguns reais no bolso do trabalhador. Mas vamos ser francos: esse aumento paga a conta do supermercado?
A celebração do Aumento do Salário Mínimo ignora uma realidade cruel: a inflação da família pobre é muito diferente da inflação oficial. O IPCA é uma média que inclui desde passagem aérea até eletrônicos. Mas quem ganha um salário mínimo gasta quase tudo em comida, aluguel e transporte. E o preço do arroz, do feijão e da carne subiu muito mais do que a média oficial.
A Matemática da Fome
Quando o governo anuncia um aumento de R$ 40 ou R$ 50 reais, ele está dando, na prática, o valor de dois quilos de carne de segunda ou meio tanque de gasolina. Chamar isso de “valorização” é um escárnio.
O Aumento do Salário Mínimo atual mal cobre a reposição das perdas passadas, mantendo o poder de compra estagnado há uma década. Para que o trabalhador tivesse dignidade real, o mínimo deveria seguir o cálculo do DIEESE, que hoje ultrapassa os R$ 6.000. Estamos vivendo de migalhas celebradas como banquete.

A Ilusão do Ganho Real e o Desemprego
O governo argumenta que não pode dar um Aumento do Salário Mínimo maior porque isso quebraria a Previdência e aumentaria o desemprego. É a velha chantagem do mercado.
No entanto, como vimos na análise sobre a Taxa de Desemprego, o brasileiro já está trabalhando por conta própria ou em bicos precários. O salário mínimo virou apenas uma referência para benefícios, e não o piso real de muitas categorias que ganham menos que isso na informalidade.
O Impacto na Previdência
A verdade nua e crua é que o Aumento do Salário Mínimo é contido não para proteger empresas, mas para proteger o caixa do governo, já que ele indexa as aposentadorias.
Ao limitar o salário, o governo faz o mesmo Corte de Gastos disfarçado que denunciamos anteriormente, economizando nas costas dos aposentados e pensionistas para garantir o superávit que a Faria Lima exige.

Os valores atualizados mensalmente do IPCA podem ser acompanhados pelo IBGE.
Participe da Análise
O debate está aberto: O aumento do salário mínimo mudou sua vida ou foi engolido pela inflação? Você acredita no índice oficial de inflação ou no preço da prateleira? Deixe seu comentário e participe ativamente da discussão.
Não perca a próxima análise! Para receber os artigos críticos do Vicente Franco diretamente no seu e-mail, inscreva-se em nossa newsletter exclusiva.
