Acidentes de Trabalho e Apps: O SUS Paga a Conta do Lucro Privado?

O modelo de negócio dos aplicativos de entrega é celebrado como eficiente. No entanto, matematicamente, ele é insustentável sem o subsídio oculto do Estado. E esse subsídio é pago com sangue. Os acidentes de trabalho envolvendo motociclistas explodiram nas grandes capitais, e isso não é uma coincidência.

É uma “externalidade negativa” calculada. Quando um entregador sofre acidentes de trabalho graves para cumprir um prazo, quem paga a conta da ambulância e da cirurgia? Não é a startup bilionária. É você, via SUS.

Acidentes de Trabalho: O Custo Oculto da Entrega

De fato, estamos diante de um caso clássico de parasitismo econômico. As plataformas ficam com o lucro limpo.

Por outro lado, elas transferem o risco físico e o custo dos acidentes de trabalho inteiramente para a sociedade.

Se as empresas tivessem que pagar pelo trauma ortopédico que geram, o modelo de “entrega barata” colapsaria.

Balança mostrando o lucro dos apps versus o custo dos acidentes para o SUS, criticando a socialização do prejuízo.

A Epidemia de Motos e o Custo Público

Os hospitais de trauma das grandes capitais vivem uma guerra civil não declarada. Enfermarias lotadas de jovens com fraturas expostas são o “efeito colateral” aceito pelo mercado financeiro.

Além disso, esses acidentes de trabalho retiram força produtiva da economia. Milhares de jovens ficam inválidos ou afastados, sobrecarregando a Previdência Social (INSS) — quando conseguem o benefício, já que muitos são informais.

Comparativo entre a taxa de entrega barata no celular e um raio-x de fratura grave, mostrando o prejuízo dos acidentes de trabalho absorvido pelo SUS.

O custo fiscal desse tratamento de saúde pressiona o orçamento público, um tema que abordamos na discussão sobre a arrecadação na Reforma Tributária.

A Conta que Não Fecha

Não existe almoço grátis, e não existe entrega expressa de R$ 5,00 que cubra o risco de vida.

Se o valor pago pelo consumidor não cobre o risco da operação, alguém está subsidiando a diferença. Neste caso, o subsídio é a vida do trabalhador e o orçamento da Saúde Pública.

Dados sobre o aumento vertiginoso de internações de motociclistas podem ser verificados em reportagens do UOL.

Portanto, tolerar o atual nível de acidentes de trabalho sem cobrar a responsabilidade direta das plataformas é assinar um cheque em branco com o dinheiro público para garantir o lucro privado de acionistas.

Participe da Análise

O debate está aberto: As empresas de app deveriam pagar uma taxa extra ao SUS pelos acidentes?

Você aceitaria pagar mais na entrega para garantir um seguro de vida real ao motociclista?

Deixe seu comentário e participe ativamente da discussão.

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