Juros Reais: Por que o “Peso Morto” Condena o Brasil ao Crescimento Zero
O Arcabouço Fiscal é o novo regime que rege as contas do Brasil, mas a velha mentalidade de austeridade ainda nos condena à lentidão. Analisamos como essa regra, embora mais flexível que o Teto de Gastos, mantém o país preso.
O Brasil ostenta há anos uma das taxas de juros reais mais altas do planeta. Este fenômeno, embora vendido como sinal de “prudência”, é na verdade um sintoma de estagnação.
Para a economia, o excesso de juros reais é um peso morto que não resolve os problemas estruturais do país, apenas cria riqueza fácil para o rentismo financeiro.
O Que a Selic Não Combate (A Falha da Ferramenta)
A política monetária tradicional assume que a alta nos juros freia o consumo. Isso funciona contra a inflação de demanda.
No entanto, a maior parte da nossa inflação é de origem estrutural: preços de alimentos, energia e logística. A Selic é ineficaz contra esses custos.
O remédio, portanto, ataca o paciente errado. Ele pune o produtor, mas não cura o preço do tomate.

Além disso, aumentar os juros reais não melhora uma estrada, nem aumenta a safra de grãos. Ela apenas encarece o crédito para quem faria esses investimentos.
Juros Reais e o Freio no Investimento
O alto nível de juros reais é o principal desestímulo ao investimento produtivo de longo prazo.
Por quê? É mais fácil e seguro para um empresário investir seu capital comprando títulos públicos do que investindo em máquinas, contratação ou pesquisa.
A conta é simples: se o dinheiro parado no governo rende 8% acima da inflação, conclui-se que o risco de abrir ou expandir uma fábrica não compensa.
O Ganhador Silencioso: A Renda Financeira
A manutenção de juros reais elevados é uma transferência colossal de riqueza da produção para o sistema financeiro.
O país paga caro para garantir que o dinheiro ocioso seja o mais rentável do mundo. Consequentemente, os juros reais agem como um motor de desigualdade.
Para entender como isso se compara a outros países, veja o artigo Do Teto Ao Arcabouço Fiscal: a Lição Ignorada da China.
Juros Reais e Crescimento: O Peso da Escolha
A manutenção de altas taxas de juros reais é, em última instância, uma escolha política.
É a preferência pela estabilidade financeira absoluta, mesmo que à custa de um crescimento econômico pífio.
O Brasil precisa de crescimento, não de penitência.

Portanto, o Análise Brasil argumenta que o país precisa urgentemente trocar a obsessão pela taxa Selic por uma agenda de reformas estruturais que ataquem a inflação na raiz.
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