Fim da Escala 6×1: Senado Avança na Redução da Jornada para 36h
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Uma das pautas mais populares e polêmicas das redes sociais finalmente ganhou tração legislativa real. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado avançou na tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o Fim da Escala 6×1 e a redução gradual da jornada de trabalho para 36 horas semanais.
O texto, que extingue o modelo arcaico onde o trabalhador folga apenas um dia após seis dias de labuta, é celebrado por sindicatos e movimentos sociais como uma vitória civilizatória.
Do outro lado, empresários do comércio e serviços alertam para o aumento de custos e risco de desemprego. Mas o que está realmente em jogo? Vamos descomplicar.
Dignidade vs. Produtividade
O argumento central a favor da PEC é a exaustão e a saúde mental. A escala 6×1 é, reconhecidamente, uma máquina de moer gente, impedindo o trabalhador de estudar, ter lazer de qualidade ou conviver com a família. A proposta prevê uma transição: primeiro para 40 horas, depois descendo até 36 horas em 2028, sem redução salarial.
A BBC publicou reportagens mostrando que países que reduziram a jornada viram aumento na produtividade, pois o trabalhador descansado rende mais.
O governo federal sinalizou apoio, de olho na popularidade da medida.

O Risco da “Pejotização” Acelerada
Aqui entra a análise crítica do Análise Brasil. Em um país onde a legislação trabalhista é rígida e os encargos são altos, o encarecimento da contratação CLT pode ter um efeito colateral perverso: a aceleração da informalidade.
(Se contratar via CLT ficar “caro demais” para o pequeno comerciante (a padaria, o mercadinho), ele pode migrar para a contratação via MEI ou trabalho intermitente, aprofundando a Subordinação Algorítmica que já discutimos.
A vitória na lei pode virar derrota na prática se não houver fiscalização e incentivos fiscais para as pequenas empresas.
O “Custo Brasil” na Mesa
Empresários alegam que a conta não fecha. No setor de serviços (restaurantes, hotéis), o fim da 6×1 exige dobrar equipes nos finais de semana. Sem uma reforma tributária que reduza os encargos sobre a folha de pagamento, essa conta será repassada para o preço do serviço (inflação) ou resultará em demissões imediatas.
O portal InfoMoney trouxe análises de economistas alertando para o impacto no custo operacional das varejistas, que já sofrem com a concorrência das plataformas chinesas. O Congresso precisa encontrar um meio-termo: garantir a dignidade do descanso sem inviabilizar o negócio que gera o emprego.

Conclusão: Um Debate Necessário
Independente do desfecho, o avanço da PEC coloca o Brasil em sintonia com uma tendência global de valorização do tempo livre. A economia deve servir à sociedade, e não o contrário. Resta saber se teremos maturidade política para implementar a mudança sem criar um exército de desempregados.
Participe da Análise
O debate está aberto: Você trabalha na escala 6×1? Acha que a redução da jornada vai melhorar sua vida ou colocar seu emprego em risco? O patrão vai contratar mais ou demitir?
Deixe seu comentário e participe ativamente da discussão.
