Crise no Varejo: Por Que as Lojas Estão Fechando as Portas?
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Caminhar pelos centros comerciais das grandes cidades brasileiras ou pelos corredores de shoppings centers tem se tornado uma experiência melancólica. Onde antes viam-se vitrines iluminadas e movimento, hoje vê-se cada vez mais placas de “Aluga-se” ou tapumes cobrindo lojas vazias.
Não é apenas uma impressão: os dados confirmam o que especialistas já chamam de “Apocalipse do Varejo”. O número de pedidos de Recuperação Judicial de grandes e médias empresas bateu recordes em 2024 e segue alto (CNN Brasil). Mas engana-se quem pensa que isso é fruto apenas de “má gestão”. O buraco é macroeconômico.
O Cliente Sumiu (e o Dinheiro Também)
Para uma loja vender, alguém precisa comprar. E o consumidor brasileiro desapareceu. Por quê? Primeiro, porque o dinheiro que sobrava no fim do mês foi sugado pela Epidemia das Bets.
Como mostramos, R$ 100 bilhões saíram do varejo direto para os aplicativos de aposta. Nenhuma economia aguenta uma drenagem desse tamanho sem colapsar o comércio real. Quem gasta no “tigrinho” não compra roupa, não troca de móvel e não janta fora.
A Guilhotina dos Juros
O segundo algoz do varejo é o custo do dinheiro. Com a Selic mantida na estratosfera pelo Banco Central, o crédito para capital de giro — aquele dinheiro que a loja pega emprestado para comprar estoque e pagar funcionários — custa mais de 20% ou 30% ao ano.
É matematicamente impossível para um varejista ter uma margem de lucro que cubra esse custo financeiro.
Voltamos sempre à raiz do problema: os Juros Reais. O rentismo não mata apenas a indústria; ele asfixia o comércio de bairro e as grandes redes, gerando desemprego na ponta.

O Efeito Dominó
Quando o varejo quebra, o efeito é em cadeia. A loja demite o vendedor, que deixa de consumir na padaria, que demite o padeiro. A arrecadação de impostos cai, e o governo (em vez de cortar juros) tenta aumentar tributos, piorando a situação.
Estamos vivendo a tempestade perfeita: endividamento das famílias no limite, concorrência desleal de plataformas internacionais sem taxação isonômica e um Banco Central que trata o setor produtivo como inimigo.

Participe da Análise
O debate está aberto: Você tem comprado menos em lojas físicas ultimamente? Por causa dos preços ou da falta de dinheiro? Acredita que o governo deveria salvar as varejistas ou deixar o mercado se regular?
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