Crise da Enel em SP: O Apagão é o Preço da Privatização?

Basta o céu escurecer em São Paulo para que milhões de cidadãos prendam a respiração.

O vendaval desta semana confirmou, mais uma vez, o que já virou rotina na maior metrópole do hemisfério sul: a Crise da Enel em SP não é um acidente, é um projeto.

Enquanto a concessionária emite notas protocolares culpando a “força da natureza” e as árvores, a população amarga dias sem energia elétrica, perdendo alimentos na geladeira e a paciência no escuro.

Mas não se engane: a culpa não é apenas do vento. O colapso recorrente da rede elétrica paulista é o sintoma mais agudo do fracasso do modelo de privatização de setores estratégicos no Brasil.

A Lógica do Lucro vs. A Lógica do Serviço

A Crise da Enel em SP expõe a ferida aberta da desestatização.

Quando uma empresa assume um monopólio natural (você não pode trocar de fornecedor de luz), a única forma de aumentar a margem de lucro é cortando custos. E onde a Enel cortou? Na manutenção preventiva e no quadro de funcionários experientes.

Dados mostram que, ao longo dos anos, o número de eletricistas nas ruas diminuiu drasticamente, sendo substituídos por terceirizados precarizados ou automação insuficiente.

O resultado é matemático: quando a crise chega (o vendaval), não há gente suficiente para levantar os cabos. O lucro foi privatizado e enviado para a matriz na Europa; o prejuízo do apagão foi socializado com a dona de casa de Osasco e o comerciante do Itaim Bibi.

Torre de alta tensão sob tempestade com a cidade de São Paulo ao fundo totalmente no escuro.

Setor Estratégico ou Balcão de Negócios?

Energia elétrica não é sapato ou hambúrguer; é segurança nacional e dignidade humana. Tratar a distribuição de energia como um ativo financeiro qualquer gera aberrações.

Esta é exatamente a mesma lógica perversa que denunciamos no artigo sobre a Privatização da Água e o caso da Sabesp: tarifas sobem para garantir dividendos, mas o investimento na robustez da rede (ou na tubulação) fica para “depois”.

A Crise da Enel em SP prova que a agência reguladora (ANEEL) foi capturada ou é ineficiente diante do poderio econômico da concessionária. As multas são irrisórias perto do faturamento, valendo a pena para a empresa pagar a punição e manter o serviço precário.

O Clima Mudou, a Enel Não

A desculpa climática não cola mais. Sabemos que eventos extremos serão cada vez mais frequentes.

Uma gestão séria e estratégica já teria enterrado a fiação (rede subterrânea) e reforçado as equipes de emergência. No entanto, enterrar fios é caro e reduz o lucro trimestral.

Portanto, a Crise da Enel em SP continuará se repetindo a cada chuva, transformando o cidadão pagador de impostos em refém de um contrato de concessão malfeito e de uma ideologia privatista que ignora a realidade.

Vela acesa em um apartamento moderno, contrastando a tecnologia com a falta de serviço básico. A Crise da Enel em SP gerando problemas para a população.

Vídeo abaixo do Portal UOL mostrando a dimensão de parte dos estragos após o vendaval.

Participe da Análise

O debate está aberto: A privatização da energia melhorou o serviço ou nos deixou vulneráveis? Você acredita que a Enel deveria perder a concessão em São Paulo? Deixe seu comentário e participe ativamente da discussão.

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