Salário Mínimo de 2026 em R$ 1.621: Vitória ou Ilusão de Ótica?

O martelo foi finalmente batido em Brasília: o governo federal confirmou que o Salário Mínimo de 2026 será de R$ 1.621.

O anúncio veio acompanhado da tradicional festa oficial, com ministros celebrando um reajuste de 6,79% e destacando o tal “ganho real” (aumento acima da inflação, que fechou acumulada em 4,18% segundo o INPC). Mas antes de estourar o champanhe — ou a sidra, que é o que o orçamento permite —, precisamos fazer a conta da vida real.

Esse aumento nominal de exatamente R$ 103,00 em relação ao valor anterior muda a vida do trabalhador ou é apenas uma correção contábil para maquiar a perda brutal do poder de compra?

A Ilusão do Ganho Real

Dizer que o Salário Mínimo de 2026 teve ganho real é tecnicamente verdade na planilha do economista, mas socialmente uma mentira na prateleira do supermercado.

O índice oficial de inflação (INPC/IPCA) é uma média ponderada que inclui itens que o pobre não consome, como passagens aéreas ou eletrônicos de ponta.

A “inflação da sobrevivência” — aquela dos alimentos, remédios e transporte público — subiu muito mais do que a média oficial. Além disso, com a Selic mantida em patamares de 15% pelo Banco Central, o custo do crédito no Brasil continua sendo um dos mais caros do mundo.

O trabalhador recebe R$ 100 a mais de salário, mas paga R$ 200 a mais de juros no cartão de crédito para comprar a mesma cesta básica do ano passado. É uma vitória de Pirro.

Carteira de trabalho aberta mostrando o novo valor do salário mínimo de 2026 com poucas notas reais ao lado.

Juros Altos: O Corrosivo Invisível

Não adianta o Executivo aumentar o Salário Mínimo de 2026 se a política monetária atua contra o consumo das famílias. O Banco Central, ao manter os juros na estratosfera sob o pretexto de combater a inflação, garante que qualquer aumento de renda seja transferido imediatamente para o sistema financeiro em forma de pagamento de dívidas.

É o ciclo vicioso que explicamos detalhadamente no artigo sobre Juros Reais: o governo dá com uma mão (salário) e o mercado financeiro tira com a outra (juros), impedindo o crescimento real da economia produtiva.

[VÍDEO DO YOUTUBE AQUI]

Impacto no Desemprego e Informalidade

O governo alega que não pode aumentar mais o mínimo porque isso quebraria a Previdência e aumentaria o desemprego. Mas a verdade é que o salário mínimo virou apenas um indexador de benefícios estatais.

A massa real de trabalhadores brasileiros já está na informalidade ou na Taxa de Desemprego maquiada de “empreendedorismo”, ganhando muitas vezes menos que o piso e sem direitos trabalhistas. O valor de R$ 1.621 é absolutamente insuficiente para garantir a dignidade mínima constitucional, que segundo o DIEESE deveria ultrapassar os R$ 6.000.

Dona de casa brasileira fazendo contas no supermercado com expressão preocupada diante de um carrinho vazio.

Participe da Análise

O debate está aberto: R$ 1.621 paga as suas contas ou é apenas um valor de sobrevivência? Você sente que seu poder de compra aumentou ou diminuiu no último ano? Deixe seu comentário e participe ativamente da discussão.

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