Orçamento de 2026: O Sequestro de R$ 255 Bilhões pelo Congresso

Enquanto a equipe econômica briga publicamente por migalhas para fechar as contas dos pisos constitucionais da Saúde e da Educação, uma operação silenciosa de captura do Estado foi consolidada nos gabinetes de Brasília.

O Congresso Nacional apresentou um recorde histórico de 7.453 emendas ao projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA), totalizando a cifra astronômica de R$ 255,5 bilhões. Para se ter uma dimensão da gravidade, esse valor é cinco vezes maior do que o orçamento discricionário (aquele livre para investimento) de ministérios cruciais como o dos Transportes ou da Integração Nacional.

O Orçamento de 2026 deixou de ser uma peça técnica de planejamento nacional para se tornar uma “conta corrente” privada de reeleição para deputados e senadores.

A “Farra de Despedida” Oficializada

O ano de 2026 será eleitoral, e o Congresso não quis correr riscos. Ao carimbar mais de R$ 255 bilhões para suas bases eleitorais, o Legislativo decretou a morte do planejamento de longo prazo no Brasil.

Em vez de grandes obras estruturantes — como ferrovias, portos ou hospitais regionais — que beneficiariam o país inteiro, teremos a pulverização desse recurso em milhares de pequenas obras paroquiais. Estamos falando de praças, asfalto de má qualidade que derrete na primeira chuva e “kits de robótica” superfaturados em prefeituras do interior, tudo sem critério técnico, apenas político.

Essa fragmentação de recursos é a face mais perversa da Oligarquia do Veto, onde o interesse local de um deputado do baixo clero se sobrepõe à necessidade estratégica de uma nação inteira.

Mãos de políticos de terno sobre um mapa do Brasil coberto por maços de notas de dinheiro, simbolizando o sequestro do Orçamento de 2026.

O Executivo como Mero Pagador

Com esse volume de emendas impositivas no Orçamento de 2026, a figura do Presidente da República é reduzida a de um “síndico” sem poder de investimento real. O Executivo tem o trabalho de arrecadar impostos e manter a máquina rodando, mas quem decide onde gastar o excedente é o Legislativo.

Isso cria um desequilíbrio perigoso e inédito entre os poderes. O Congresso fica com o bônus político de gastar, inaugurar obras e cortar a fita, enquanto o Governo Federal fica com o ônus amargo de explicar o déficit fiscal, os juros altos e os cortes impopulares no BPC (Benefício de Prestação Continuada).

É a mesma lógica perversa que criticamos no artigo sobre Corte de Gastos: tira-se do pobre para garantir a emenda do parlamentar rico.

O Contexto de Tensão entre Poderes

Essa sanha voraz por orçamento não acontece no vácuo. Ela é parte de uma queda de braço institucional onde o Congresso tenta emparedar tanto o Executivo quanto o Judiciário, usando o dinheiro como arma de negociação política.

As “Emendas Pix”, que somam bilhões e caem direto na conta das prefeituras sem fiscalização prévia, são a ferramenta perfeita para essa blindagem.

Na reportagem da TVBrasil é possível avaliar o quanto o conceito do orçamento está sendo prejudicado pelos interesses do congresso.

O Congresso Nacional iluminado à noite com um gráfico de barras vermelho subindo, representando o recorde de emendas parlamentares.

Participe da Análise

O debate está aberto: O deputado sabe melhor onde gastar o dinheiro ou isso é compra de voto legalizada? Você acredita que o Orçamento de 2026 deveria ser blindado contra emendas eleitoreiras? Deixe seu comentário e participe ativamente da discussão.

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