O Sequestro da Sabatina: Como o Senado Usa o STF como Moeda de Troca

A indicação de um ministro para o Supremo Tribunal Federal deveria ser um momento de análise técnica e constitucional. No entanto, em Brasília, tornou-se apenas mais um balcão de negócios. A atual trava na sabatina do STF pelo Senado não tem relação com o currículo do indicado.

Na verdade, trata-se de uma demonstração de força. O Legislativo sequestra a pauta do Judiciário para extorquir o Executivo.

Hoje, analisamos como esse episódio é a prova cabal de como opera o poder real no Brasil.

A Oligarquia do Veto em Ação

O que o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado faz ao segurar a sabatina do STF não é zelo republicano. É a aplicação prática do “poder de não fazer”.

Ao gerar inércia e travar uma nomeação crucial, ele força o governo a sentar na mesa de negociação. O preço para liberar a pauta? Emendas, cargos e controle do Orçamento.

Consequentemente, este episódio valida perfeitamente a tese que apresentamos no artigo Oligarquia do Veto.

Lá, explicamos como esse bloco de poder negocia a governabilidade através da criação de dificuldades artificiais.

Cadeira de ministro do STF vazia e acorrentada dentro do plenário, simbolizando o bloqueio político da sabatina do STF pelo Senado.

O Custo Institucional da Barganha

Enquanto o Senado joga pôquer com a vaga do Supremo, a corte constitucional opera desfalcada.

Além disso, a mensagem passada à sociedade é devastadora: até a mais alta corte do país é refém dos humores e interesses paroquiais de senadores.

A sabatina do STF deixa de ser um filtro de qualidade e vira um filtro de lealdade política e pagamento de faturas.

Por isso, não importa quem seja o presidente eleito. Ele sempre terá que pagar pedágio para quem detém as chaves da pauta legislativa.

Aperto de mão entre políticos com dinheiro e documentos sendo trocados escondido, ilustrando a negociação por trás da sabatina do STF.

Acompanhe os desdobramentos da tensão entre os poderes na cobertura política da CNN Brasil.

Portanto, a atual crise da sabatina do STF é um sintoma de uma doença maior: um sistema onde o interesse público é sempre o último item da pauta de negociação.

Participe da Análise

O debate está aberto: O Senado está cumprindo seu papel ou abusando do poder na sabatina?

Você acredita que a escolha de ministros do STF deveria mudar para evitar essa politização?

Deixe seu comentário e participe ativamente da discussão.

Não perca a próxima análise! Para receber os artigos críticos do Vicente Franco diretamente no seu e-mail, inscreva-se em nossa newsletter exclusiva.

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *